O dízimo segundo a Bíblia Sagrada

“O coração do entendido adquire o conhecimento, e o ouvido dos sábios busca a sabedoria.” (Provérbios 18:15)

O objetivo desse estudo é mostrar que o dízimo, de acordo com a Palavra de Deus, nunca esteve associado a dinheiro, e que não é ordenança para a igreja, ou seja, para as pessoas que fazem parte do corpo de Cristo, as quais podem colaborar com a obra de Deus seguindo critérios bem definidos, que serão abordados no decorrer do texto.

A fim de facilitar o estudo, esse texto foi dividido em quatro capítulos distintos: Dízimo antes da lei; Dízimo durante a lei; Dízimo no período da graça e Frases incorretas sobre o dízimo.

DÍZIMO ANTES DA LEI

Antes do período da lei, Abrão entregou dízimos a Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo.

Jacó prometeu dar a Deus dízimos de tudo que recebesse (Gênesis 28:22), mas a Bíblia não relata se essa promessa foi cumprida e com qual frequência.

Quanto a Abrão, é interessante mencionar que apesar de ser riquíssimo (Gênesis 13:2), este não entregou coisa alguma do que já possuía a Melquisedeque, mas somente dos despojos (Hebreus 7:4) obtidos durante a batalha relatada em Gênesis 14. Abrão guerreou pelo fato de Ló, seu sobrinho, que morava em Sodoma, ter sido levado cativo (Gênesis 14:12) pelos reis de Elão, Goim, Sinar e Elasar (Gênesis 14:9), que haviam derrotado os reis de Sodoma, Gomorra, Admá, Zeboim e Belá (Gênesis 14:8).

Abrão juntamente com seus criados, 318 no total (Gn 14:14), saíram à peleja e voltaram com Ló, sua família, bens e os bens de Sodoma. Dos despojos dos quatro reis, Abrão entregou a décima parte a Melquisedeque. O restante ficou com ele. Dos bens de Sodoma, Abrão não quis tomar para si nem uma única tira de uma sandália ou um fio de uma roupa, ainda que tivesse direito, o que explica a proposta do rei de Sodoma “Dá-me a mim as pessoas, e os bens toma para ti.” (Gênesis 14:21).

Não há outro registro informando que Abrão tenha dizimado novamente, apesar de ter vivido 175 anos (Gênesis 25:7).

DÍZIMO DURANTE O PERÍODO DA LEI

Por volta do ano 1500 antes de Cristo, quando o Pentateuco começou a ser escrito por Moisés, o dinheiro (em hebraico כֶּסֶף – kesef) já existia, como vemos em Gênesis 17:12, Deuteronômio 14:25, Êxodo 12-44, Números 3:49. Apesar disso, de acordo com a lei, o povo deveria dizimar apenas dos rebanhos e cereais, conforme Deuteronômio 14:22, Levítico 27:30, Êxodo 34:2; 26, 1 Samuel 8:17, etc.

“Também todas as dízimas do campo, da semente do campo, do fruto das árvores, são do SENHOR; santas são ao SENHOR.” (Levítico 27:30)

Em razão disso, as pessoas que exerciam outras profissões, tais como artesãos (Êxodo 31:3-5), copeiros e padeiros (Gênesis 40:1-2), carpinteiros e pedreiros (II Samuel 5:11), músicos (I Reis 10:12), alfaiates (Êxodo 28:3), mestres-de-obras (I Reis 5:16), ourives, pescadores, mercadores, coletores de impostos, guardas, cozinheiros, não poderiam ser dizimistas, pois não eram pessoas do campo.

Apesar de não serem dizimistas, essas pessoas poderiam ofertar voluntariamente ao Senhor (Esdras 3:5;7, Deuteronômio 16:10, Êxodo 35:29, 1 Crônicas 29:5-9). O dízimo era obrigatório; as ofertas, porém, voluntárias, pelo menos a maioria delas.

“E o povo se alegrou porque contribuíram voluntariamente; porque, com coração perfeito, voluntariamente deram ao Senhor; e também o rei Davi se alegrou com grande alegria.” (1 Crônicas 29:9)

“E disse Joás aos sacerdotes: Todo o dinheiro das coisas santas que se trouxer à casa do Senhor, a saber, o dinheiro daquele que passa o arrolamento, o dinheiro de cada uma das pessoas, segundo a sua avaliação, e todo o dinheiro que trouxer cada um voluntariamente para a casa do Senhor” (2 Reis 12:4)

Além do dinheiro, as pessoas poderiam ofertar alimentos, incenso, utensílios (Neemias 13:5). Algumas ofertas, no entanto, deveriam ser feitas obrigatoriamente em dinheiro, como a do arrolamento citado na referência acima (2 Reis 12:4), em obediência ao escrito em Êxodo 30:13-16.

Depois de ler a Bíblia de Gênesis a Apocalipse, perceberá que não há registros de que alguém tenha “dizimado em dinheiro”. Eles poderiam ofertar voluntariamente, ou entregar os dízimos dos grãos e animais.

É interessante observar que o dízimo poderia ser trocado por dinheiro – na hipótese de Deus ter abençoado grandemente a produção, o que dificultaria o transporte do dízimo por um percurso mais longo:

“Separem o dízimo de tudo o que a terra produzir anualmente. Comam o dízimo do cereal, do vinho novo e do azeite, e a primeira cria de todos os seus rebanhos na presença do Senhor, o seu Deus, no local que ele escolher como habitação do seu Nome, para que aprendam a temer sempre o Senhor, o seu Deus. Mas, se o local for longe demais e vocês tiverem sido abençoados pelo Senhor, pelo seu Deus, e não puderem carregar o dízimo, pois o local escolhido pelo Senhor para ali pôr o seu Nome é longe demais, troquem o dízimo por prata, e levem a prata ao local que o Senhor, o seu Deus, tiver escolhido. Com prata comprem o que quiserem: bois, ovelhas, vinho ou outra bebida fermentada, ou qualquer outra coisa que desejarem. Então juntamente com suas famílias comam e alegrem-se ali, na presença do Senhor, do seu Deus.” (Deuteronômio 14:22-26)

A orientação é clara: Deus não aceitaria a prata no lugar do dízimo, ou seja, dinheiro no lugar dos frutos da terra, mas permitiria, por causa de uma longa distância, a troca do dízimo por prata, por ser fácil de transportar. O dizimista (homem do campo), no local indicado por Deus, deveria então comprar o que quisesse para ali “comer do seu dízimo” e se alegrar na presença do Senhor Deus, o nosso mantenedor.

No livro que leva o nome do profeta Malaquias, encontramos o fragmento de texto mais utilizado para justificar a arrecadação de dízimos nas comunidades cristãs, porém o texto é dirigido unicamente à nação de Israel (Malaquias 3:9). Quanto às nações gentílicas, estas apenas veriam o que Deus iria realizar em Israel, caso os dízimos das novidades do campo fossem entregues para o serviço do Templo. Entre as promessas efetuadas por Deus naquele texto, estão a repreensão ao devorador (gafanhoto que destruía as plantações) e o enriquecimento da nação (Malaquias 3:12). Veja que em momento algum o dinheiro é citado como objeto do dízimo em Malaquias, assim como não é em qualquer outro texto da Bíblia.

Em textos do Novo Testamento, mas ainda durante o período da lei, a palavra dízimo aparece no evangelho:

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas.” (Mateus 23:23)

Nesse texto, Jesus está se dirigindo aos escribas e fariseus, e não à igreja. Nessa passagem, o Senhor repreendeu duramente os escribas e os fariseus por se preocuparem com as coisas mínimas, como dizimar do endro, do cominho e da hortelã, mas desprezarem as que importavam mais: o juízo, a misericórdia e a fé.

Jesus disse que eles não poderiam omitir aquelas coisas, ou seja, ser omissos na separação do dízimo para Deus. Observe, porém, que o dízimo era constituído apenas de produtos do campo. O Senhor Jesus não incluiu o dinheiro na relação, apesar de haver grande circulação de moedas romanas naquele tempo (Mateus 22:19-21).

O dízimo realmente era uma obrigação, no período da lei, mas o dízimo dos frutos da terra; jamais do dinheiro.

Lembre-se de que o período da graça, no qual estamos agora (Efésios 2:8, Atos 15:11), iniciou apenas após a morte e ressurreição corpórea de Jesus Cristo, quando finalmente os apóstolos foram cheios do Espírito Santo (Atos 2:4) e puderam testemunhar acerca do Senhor Jesus Cristo até os confins da terra (Atos 1:8), e não apenas em Israel (Mateus 10:6).

Considerando que o dízimo só poderia ser dado por agricultores e criadores de rebanhos, que o dízimo só poderia ser recebido por sacerdotes pertencentes à tribo de Levi (Hebreus 7:5), e que o Senhor Jesus Cristo cumpriu toda a lei com perfeição, sem cometer qualquer tipo de pecado, é fácil concluir que Jesus não dizimou no templo e nem recebeu dízimos de qualquer pessoa por dois motivos muito simples: o primeiro é porque Ele exerceu o ofício de carpinteiro (Marcos 6:3), e não de produtor rural; o segundo é porque não pertenceu à tribo de Levi, mas a de Judá.

“Visto ser manifesto que nosso Senhor procedeu de Judá, e concernente a essa tribo nunca Moisés falou de sacerdócio.” (Hebreus 7:14)

Sem dúvida alguma, Jesus e os discípulos receberam apoio financeiro de pessoas que criam, mas nada se assemelhava ao dízimo instituído pela lei.

DÍZIMO NO PERÍODO DA GRAÇA

Não existe qualquer mandamento para a igreja no sentido de arrecadar dízimos e muito menos que esses dízimos sejam devolvidos em dinheiro.

No livro de Atos, que registra as ações dos apóstolos durante o período da igreja primitiva, não encontraremos qualquer indício de que os membros dizimassem, nem em frutos do campo e muito menos em dinheiro, como acontece agora. A igreja, em seu princípio, funcionava assim:

“E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. E em toda a alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos. E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister.” (Atos 2:42-45)

Quando chegava um novo convertido, este vendia suas herdades, apresentava o valor diante dos apóstolos e dos demais e imediatamente o valor era dividido entre todos, inclusive entre os membros, de acordo com a necessidade de cada um, o que justifica o fato de não haver necessitado na igreja, naquele período (Atos 4:34). Isso é muito diferente do modelo atual.

Nas Cartas aos Coríntios, estão definidas as regras para quem vai colaborar com a obra de Deus. A escolha da contribuição é de foro íntimo, ou seja, decisão pessoal (2 Coríntios 9:7), conforme a renda (1 Coríntios 16:2), liberal (2 Coríntios 9:5) e, por mais incrível que pareça, dentro das possibilidades financeiras (2 Coríntios 8:12), a fim de que não se sobrecarregue financeiramente (2 Coríntios 8:13).

Para sustentar a arrecadação por pagamento de dízimos, alguns pregadores insistem em dizer que as regras contidas na carta aos Coríntios se aplicam às ofertas e que os dízimos ainda devem ser “devolvidos” pelos crentes, em observância à Malaquias 3, embora esse profeta tenha sido dirigido unicamente à nação de Israel (Malaquias 1:1; 3:9).

Outros justificam a prática afirmando que o dízimo é anterior à lei. Porém como vimos no início desse estudo, os exemplos de Abraão e Jacó em nada se comparam com a realidade presenciada na maioria das denominações cristãs.

Na atual dispensação, período da graça, todos podemos colaborar de forma voluntária com a obra de Deus e no ministério em que congregamos.

Esses recursos podem ajudar a alimentar e vestir os irmãos mais carentes na igreja, adquirir e distribuir exemplares da Bíblia e mensagens de evangelismo, possibilitar a pregação da Palavra de Deus nos locais mais distantes, permitir o funcionamento dos locais de reunião (limpeza, água, luz, aluguel), custear a vida sem extravagâncias de obreiros (Mateus 10:10; 1 Timóteo 5:18) que se dediquem integralmente à obra de Deus.

Se o obreiro já possui emprego, e a renda já é suficiente, não há que se falar em prebenda, porque existe recomendação bíblica para que ele não sobrecarregue a igreja, mas que a abençoe (2 Coríntios 12:14). Tudo deve ser feito com muita transparência e temor a Deus.

O dízimo no período da graça foi instituído pela Igreja Católica em 567 d.C. Em 585 d.C., no Concílio de Mâcon, a Igreja Católica começou a ameaçar com excomunhão as pessoas que não dessem dízimos. É importante lembrar que a igreja evangélica surgiu da católica, o que justifica o fato de esse procedimento ter sido preservado em muitas denominações até hoje.

No Brasil, é fácil encontrar uma congregação que inclua entre os seus ensinamentos o pagamento de dízimos em dinheiro (copiando o exemplo da Igreja Católica), MAS ISSO NÃO É MOTIVO PARA NÃO CONGREGAR.

No entanto, evite congregar em locais onde o dinheiro é o tema principal da pregação e a Palavra é usada para fins lucrativos, onde os “maiores dizimistas” recebem tratamento diferenciado, onde ocorrem vendas de oração, de bênçãos, de produtos ungidos, onde os valores das ofertas são predeterminados, onde o púlpito é utilizado para fazer campanha política, onde se encontra de tudo (estacionamento amplo, seguranças, elevador, telão, ar-condicionado, poltronas acolchoadas), menos a real presença de DEUS.

Essa congregação tem tudo para ser uma igreja igual a de Laodicéia:

“Ao anjo da igreja em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus: Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; oxalá foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és quente nem frio, vomitar-te-ei da minha boca. Porquanto dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um coitado, e miserável, e pobre, e cego, e nu; aconselho-te que de mim compres ouro refinado no fogo, para que te enriqueças; e vestes brancas, para que te vistas, e não seja manifesta a vergonha da tua nudez; e colírio, a fim de ungires os teus olhos, para que vejas. Eu repreendo e castigo a todos quantos amo: sê pois zeloso, e arrepende-te.” (Apocalipse 3:14-19)

Antes de encerrar esse estudo, é importante apontar alguns erros comuns, cometidos, muitas vezes, por falta de conhecimento das Escrituras Sagradas. Existem paradigmas difíceis de serem quebrados, mas a melhor arma para combater o engano é a verdade. Como bem disse o Senhor Jesus Cristo:

“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (João 8:32).

FRASES INCORRETAS SOBRE O DÍZIMO

1 – “O DÍZIMO NÃO ERA DADO EM DINHEIRO PORQUE AINDA NÃO EXISTIA O DINHEIRO”:

O dinheiro existia bem antes do período da lei iniciar e não era só o dinheiro, mas já havia também comerciantes.

“Passando, pois, os mercadores midianitas, tiraram e alçaram a José da cova, e venderam José por vinte moedas de prata, aos ismaelitas, os quais levaram José ao Egito.” (Gênesis 37:28)

Dízimo, de acordo com a Bíblia, nunca esteve associado a dinheiro, mas com a parte que cabia a Deus, das novidades do campo. Em Cristo, nós temos liberdade para colaborar voluntariamente, conforme a nossa capacidade e segundo aquilo que estiver proposto no coração.

2– “O DEVORADOR É UM DEMÔNIO”:

O devorador não é um demônio, como pensam alguns, mas sim uma espécie de gafanhoto. Por isso, o profeta Malaquias afirmou que o devorador não destruiria os frutos da terra. Como sabemos, dependendo da quantidade, o gafanhoto pode ser uma praga terrível até mesmo para uma enorme plantação.

“E por causa de vós repreenderei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra; e a vossa vide no campo não será estéril, diz o Senhor dos Exércitos.” (Malaquias 3:11)

“O que o gafanhoto cortador deixou o gafanhoto peregrino comeu; o que o gafanhoto peregrino deixou o gafanhoto devastador comeu; o que o gafanhoto devastador deixou o gafanhoto devorador comeu.” (Joel 1:4) Nova Versão Internacional.

3 – “QUEM NÃO DÁ DÍZIMOS ESTÁ DEBAIXO DE MALDIÇÃO”:

Algumas pessoas acreditam que podem ser amaldiçoadas se não destinarem 10% da renda a uma denominação. Isso, além de ser um engano, é uma grande demonstração de falta de fé e ingratidão para com o Senhor, que morreu justamente para nos salvar, e nos livrar da maldição da lei:

“Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro;” (Gálatas 3:13)

O devorador (gafanhoto) era, de fato, uma maldição terrível que acometia a nação de Israel por causa da desobediência. Porém, com a morte de Cristo, segundo a Palavra de Deus, todas as maldições já foram desfeitas.

Porém quando o crente ainda deseja se justificar pelo cumprimento das obras da lei, o tal permanece sob efeito da maldição:

“Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las.” (Gálatas 3:10)

Isso explica o fato de o dizimista sofrer uma série de tribulações na área financeira, quando falha na entrega do dízimo. Isso é uma evidência de que essa pessoa não desfruta da graça de Cristo, mas que está presa ao rigor da lei, ficando assim debaixo da maldição e seus efeitos.

Se a pessoa está presa a uma maldição, é porque aniquilou a graça de Deus, e isso significa que Cristo morreu debalde para essa pessoa, ou seja, em vão:

“Não aniquilo a graça de Deus; porque se a justiça provém da lei, segue-se que Cristo morreu debalde.” (Gálatas 2:21)

4–“QUEM NÃO DÁ DÍZIMOS ESTÁ ROUBANDO A DEUS”:

Para que isso seja possível, a pessoa deve:

– Pertencer literalmente à nação de Israel, pois o dízimo não foi ordenança aos demais povos, mas apenas àquele país, quando diz:

“Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, sim, toda esta nação.” (Malaquias 3:9)

– Ser produtora rural, pois nunca houve dízimo da prata, do ouro e do dinheiro; (Deuteronômio 14:22)

– Viver sob o jugo da lei, como no antigo concerto; (Gálatas 3:12)

5 – “PASTOR PODE PEDIR OU RECEBER O PAGAMENTO DE DÍZIMOS”:

De acordo com Escrituras Sagradas, somente quem tem legitimidade para receber dízimos do povo são alguns dos integrantes da tribo de Levi.

“E os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm ordem, segundo a lei, de tomar o dízimo do povo, isto é, de seus irmãos, ainda que tenham saído dos lombos de Abraão.” (Hebreus 7:5)

Atualmente nenhum ser humano em todo o mundo tem autorização de Deus, segundo a lei, para tomar dízimos do povo. Nem mesmo entre os judeus legalistas em Israel, pois não há mais templo e consequentemente levitas servindo como sacerdotes.

Os sacerdotes são os homens responsáveis por, dentre outras coisas, fazer interação entre o povo e Deus e Deus e o povo, como Arão, irmão de Moisés. O sacerdote é escolhido por Deus para esse ofício.

O capítulo 7 de Hebreus ensina sobre Melquisedeque e a semelhança com o sacerdócio de Jesus Cristo. Nesse capítulo, há informação de que Abraão foi ao encontro de Melquisedeque para entregar os dízimos de tudo (apenas despojos de guerra), porque Melquisedeque era rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo.

De acordo com Hebreus 7:17, Jesus Cristo é sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque. Então, por uma questão lógica, Jesus também pode receber o dízimo de tudo. Mas a Palavra não fala sobre homens recebendo o dízimo de tudo no lugar do Senhor Jesus Cristo.

Mas como dar algo ao Senhor Jesus Cristo?

“Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e foste me ver. Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos? E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te? E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.” (Mateus 25:34-40)

Sempre que alguém ajuda as pessoas, seja doando alimentos, roupas, atenção para os doentes, visitando os presos, na verdade essa pessoa está fazendo algo para o Senhor Jesus Cristo.

6– “O DIZIMISTA ENRIQUECE”:

As Escrituras Sagradas nos alertam para a possibilidade de passarmos por algumas dificuldades, inclusive financeiras. Na prática, isso aconteceu na vida do apóstolo Paulo, que escreveu:

“porque já aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade.” (Filipenses 4:11-12)

“Nós somos loucos por amor de Cristo, e vós sábios em Cristo; nós fracos, e vós fortes; vós ilustres, e nós vis. Até esta presente hora sofremos fome, e sede, e estamos nus, e recebemos bofetadas, e não temos pousada certa, e nos afadigamos, trabalhando com nossas próprias mãos. Somos injuriados, e bendizemos; somos perseguidos, e sofremos; somos blasfemados, e rogamos; até ao presente temos chegado a ser como o lixo deste mundo, e como a escória de todos.” (1 Coríntios 4:10-13)

O motivo disso é que o profeta Malaquias jamais se dirigiu à igreja, quando disse que Deus abriria as janelas do céu para que viesse a maior abastança (Malaquias 3:10), caso o povo entregasse os dízimos dos frutos do campo.

Não há harmonia entre a promessa de Deus a Israel, naquele contexto, e a ordem direta de Jesus: “Não ajunteis tesouros na terra (…)” (Mateus 6:19).

Além disso, a casa do tesouro, citada em Malaquias 3:10, não pode ser confundida com o salão (alugado ou próprio), em que as pessoas se reúnem para adorar a Deus. Atualmente, nós somos a “Casa do Tesouro”, isto é, o Templo do Espírito Santo!

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Jamais encontraremos na Bíblia qualquer registro de que tenha havido a devolução de dízimos em dinheiro ou que os apóstolos arrecadaram dízimos da igreja primitiva, seja em dinheiro ou mesmo em frutos do campo.

O dízimo, de acordo com as Escrituras Sagradas, era anual (Neemias 10:35), dos frutos do campo (Levítico 27:30) e poderia ser comido pelo próprio dizimista (Deuteronômio 14:22-26).

Porém isso não proíbe o cristão de contribuir voluntariamente, de acordo com os critérios definidos para a igreja, já no período da graça, conforme os textos escritos à igreja de Corinto.

Quem vai a Cristo esperando receber DELE apenas prosperidade nesse mundo vil está perdendo tempo. A maior riqueza que podemos receber de Jesus é o perdão dos pecados e a vida eterna no reino dos céus. Ele pode enriquecer ou empobrecer materialmente aqueles que se aproximam DELE, mas isso depende da perfeita e, algumas vezes, incompreensível vontade de Deus (1 Samuel 2:7, Romanos 11:34).

Se você é verdadeiramente servo de Deus, faça pelo Senhor e pelo próximo o que você puder.

“Reparte com sete, e ainda até com oito, porque não sabes que haverá sobre a terra.” (Eclesiastes 11:2)

“manda aos ricos mal deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a sua esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que nos concede abundantemente todas as coisas para delas gozarmos;”(1 Timóteo 6:17)

Comments

  1. Almir Chaves de Oliveira

    Se o dizimo não está associado à dinheiro, em primeira corintos 9;13,14 podemos entender que os que pregam o evangelho devem viver do evangelho? ou seja, devem ser custeados pela igreja?

    1. Post
      Author
      hubner.rocha

      Obrigado pelo seu interesse no assunto e por participar o seu questionamento. A mordomia cristã ainda acontece, porém não segundo o modelo da aliança anterior, mas segundo o da graça: “A escolha da contribuição é de foro íntimo, ou seja, decisão pessoal (2 Co 9:7), conforme a renda (1 Co 16:2), liberal (2 Co 9:5) e, por mais incrível que pareça, dentro das possibilidades financeiras (2 Co 8:12), a fim de que não se sobrecarregue financeiramente (2 Co 8:13).” Mesmo assim, vale acrescentar que a Palavra garante uma colheita maior a quem semear mais (2 Co 9:6) e provisão (2 Co 9:8). Vamos sim contribuir voluntariamente com a obra, mas apenas por gratidão, sem esperar de Deus alguma coisa em troca. O dinheiro arrecadado poderá servir também para promover o sustento dos homens de Deus que vivem apenas para servir a Deus. Contribuir é bíblico. Dizimar não.

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