O arrebatamento da igreja e o grande problema do pré-tribulacionismo

“Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.” (1 Tessalonicenses 4:16,17)

O arrebatamento é uma verdade bíblica notável, porém a grande dificuldade é posicioná-lo corretamente em relação à grande tribulação, período em que muitas perseguições serão empreendidas contra o povo cristão e contra todos que se opuserem ao governo do anticristo no mundo, num período que será conhecido como a Nova Ordem Mundial.

O objetivo desse estudo é provar que o arrebatamento da igreja, isto é, a nossa reunião com o Senhor Jesus, ocorrerá apenas após a manifestação do anticristo no mundo e alertar os cristãos sinceros sobre o perigo de crer em um arrebatamento pré-tribulacional.

Segundo artigo “A Origem do Ensino de um Arrebatamento Pré-Tribulacional” de Brian Schwertley, traduzido por Felipe Sabino de Araújo Neto em dezembro de 2007, a origem se deu com uma jovem escocesa chamada Margaret Macdonald, profetiza da seita Irvingita, na cidade de Port Glasgow, Escócia, no começo de 1830. Dentre os ouvintes da mensagem da profetisa, havia um homem chamado John Darby, o qual, após alterar alguns detalhes acerca da nova teoria, conseguiu apresentá-la no pequeno jornal trimestral “The Morning Watch”, publicado pelos Irvingitas de 1829 a 1832. Ainda segundo o artigo, a nova concepção acerca do arrebatamento só ganhou mais alcance após Cyrus Ingerson Scofield (1843-1921) ter publicado a “Bíblia de Referência Scofield” em 1909, que apresentava na notas as doutrinas de Darby.

Apesar de ser relativamente recente o ensino dessa teoria, atualmente a maior parte das comunidades cristãs e de cristãos no Brasil é pré-tribulacionista.

Observe agora algumas referências bíblicas utilizadas pelos pré-tribulacionistas para defender um suposto arrebatamento da igreja antes do período da grande tribulação.

1 – “E ESPERAR DOS CÉUS O SEU FILHO, A QUEM RESSUSCITOU DENTRE OS MORTOS, A SABER, JESUS, QUE NOS LIVRA DA IRA FUTURA.” (1 TESSALONICENSES 1:10)

A ira futura a que se referiu o apóstolo Paulo não está relacionada ao que fará o anticristo no mundo, mas ao castigo que o próprio Deus aplicará aos filhos da desobediência, os quais aceitarão o sinal da besta para adorá-la e também derramarão o sangue inocente dos santos e profetas durante a grande tribulação (Apocalipse  16:2;6).

A igreja não será punida pela ira de Deus, como bem escreveu o apóstolo em sua carta aos de Tessalônica.

2 – “COMO GUARDASTE A PALAVRA DA MINHA PACIÊNCIA, TAMBÉM EU TE GUARDAREI DA HORA DA TENTAÇÃO QUE HÁ DE VIR SOBRE TODO O MUNDO, PARA TENTAR OS QUE HABITAM NA TERRA.” (APOCALIPSE 3:10)

As cartas para as sete igrejas da Ásia Menor trouxeram profecias que tiveram o seu cumprimento já descortinado na história. O gênero apocalíptico surge apenas a partir do quarto capítulo.

Para entender sobre a hora da tentação que viria sobre todo o mundo, basta estudar a história do imperador romano Domiciano e dos sucessores e o quantitativo de cristãos mortos por esses terríveis perseguidores da igreja.

O texto também não coloca aquela tentação como o pior dos momentos da história da humanidade, como aparece expressamente em teus 24:21,22, cujo cumprimento está perto de acontecer. 

3- “E AGORA VÓS SABEIS O QUE O DETÉM, PARA QUE A SEU PRÓPRIO TEMPO SEJA MANIFESTADO. PORQUE JÁ O MISTÉRIO DA INJUSTIÇA OPERA; SOMENTE HÁ UM QUE AGORA O RETÉM ATÉ QUE DO MEIO SEJA TIRADO; E ENTÃO SERÁ REVELADO O INÍQUO, A QUEM O SENHOR DESFARÁ PELO ASSOPRO DA SUA BOCA, E ANIQUILARÁ PELO ESPLENDOR DA SUA VINDA;” (2 TESSALONICENSES 2:6-8)

Se o Espírito Santo realmente for tirado do mundo antes da revelação do iníquo, nada justificaria o fato de a igreja permanecer no mundo, porque o Espírito é o penhor da nossa salvação (2 Coríntios 5:5).

O problema é que teríamos uma contradição, pois no início do mesmo capítulo, Paulo afirmou que a nossa reunião com o Senhor Jesus Cristo só acontecerá após a apostasia e a manifestação do anticristo no Templo de Deus, querendo parecer Deus.

Então como explicar a aparente contradição?

Nesse caso, o termo correspondente ao grego em português a ser utilizado deveria ser “afastado”, e não “retirado”, como vemos na versão KJA (King James Atualizada), copiada abaixo:

“Na realidade, o mistério da iniquidade já está em ação, restando tão somente que seja afastado aquele que agora o detém.”

Fonte: http://bibliaportugues.com/kja/2_thessalonians/2.htm

A NVI (Nova Versão Internacional) também utiliza a mesma tradução:

“A verdade é que o mistério da iniqüidade já está em ação, restando apenas que seja afastado aquele que agora o detém.”

Fonte: https://www.bibliaonline.com.br/nvi/2ts/2

O que o texto grego quer nos dizer é que o Espírito Santo, o único a deter a manifestação do iníquo, deixará de impedir essa manifestação, o que permitirá que o iníquo se revele.

Embora a Palavra de Deus seja inspirada pelo Espírito Santo, o trabalho de copistas e de tradutores não é, constituindo-se numa tarefa técnica, sujeita a falhas. Por essa razão, é sempre importante verificar outras traduções e, se possível, estudar as versões nos idiomas de origem dos textos.

4- “Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.
Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda.” (Salmos 23:4,5)

Embora Deus tenha poder para livrar e guardar seu povo, a história também demonstra que, por muitas vezes, esse mesmo povo sofreu pesadas baixas, mas nunca desaparecendo totalmente, por causa da promessa.

O texto acima pode retratar uma situação particular vivenciada por uma pessoa, mas não anula o fato de que o povo de Deus pode sofrer perseguições e de ser morto, como nos revelam inúmeros textos bíblicos, não podendo portanto servir de base para um arrebatamento escapista (Mateus 23:31-37, Lucas 21:16, Atos 7:59; Ap 20:4, etc)

Passemos agora a analisar os textos bíblicos que provam o fato de que a igreja passará pela grande tribulação:

1- “Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, e pela nossa reunião com ele, Que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto.
Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, o qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus.” (2 Tessalonicenses 2:1-4)

O texto acima é claro ao dizer que a nossa reunião com Cristo, isto é, o arrebatamento, só acontecerá após o cumprimento de dois requisitos: a apostasia e a manifestação do anticristo.

Perceba a forte preocupação do escritor em fornecer à igreja informações precisas sobre essa manifestação, no desejo de nos alertar para o perigo, algo que não faria sentido algum se a a igreja fosse arrebatada antes desse evento.

2- “Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados; Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados.” (1 Coríntios 15:51,52)

No texto acima, o apóstolo Paulo fala sobre a transformação que deverá acontecer, com a ressurreição dos mortos e a transformação dos vivos, o que acontecerá ante o toque da “última trombeta”, dando a entender que outras seriam tocadas antes. É um evento destinado apenas aos cristãos sinceros, e não ao mundo inteiro (Ap 20:4-6)

No livro Apocalipse, há menção de sete trombetas que serão tocadas (Ap 8:1-2). Cada trombeta tocada desencadeará uma série de acontecimentos sobre o mundo e para saber quais, basta ler de Apocalipse 8:1 a 11:19. A última trombeta é a que anuncia a vinda de Jesus Cristo para reinar para todo o sempre (Ap 11:15), em cumprimento de várias profecias encontradas nos textos do Antigo Testamento, como Amós 9, Zacarias 14, Daniel 7, 2 Samuel 7, Isaías 2, Isaías 65 e muitos outros.

Existe harmonia entre os textos da carta aos Coríntios e do Apocalipse, porém há quem não vincule os dois textos e defenda que o arrebatamento acontecerá, na verdade, no momento do rompimento do sexto selo do livro que está nas mãos do Cordeiro de Deus (Ap 6:12-17), antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor, anunciado até por profetas do Antigo Testamento (Ezequiel 30:3, Amós 5:18; 8:9, Zacarias 14, Joel 1:15; 3:14, Isaías 2:12; 13:9 e outros).

Estando correto ou não esse entendimento, isso não muda o fato de que a igreja será perseguida durante o período da grande tribulação.

3- “Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas suas mãos; (…) E um dos anciãos me falou, dizendo: Estes que estão vestidos de vestes brancas, quem são, e de onde vieram? E eu disse-lhe: Senhor, tu sabes. E ele disse-me: Estes são os que vieram da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro.” (Apocalipse 7:9;13,14)

O texto acima é mais uma evidência de que a igreja passará pelo período da grande tribulação, por expressamente admitir que pessoas de todas as nações, tribos, povos e línguas serão mortas naquele período.

Para continuar sustentando um arrebatamento escapista antes da grande tribulação, alguns pré-tribulacionistas defendem que aqueles mortos serão apenas os que não forem arrebatados por Cristo, mas que ficaram no mundo e se converteram ou se arrependeram de seus pecados e morreram por causa da fé durante a grande tribulação.

O grande problema dessa interpretação é que a Bíblia não dá margem para duas ocasiões distintas de salvação para os povos gentios e nem para os judeus. Na verdade, após o fechamento da “porta” pelo noivo, ninguém mais poderá entrar, anulando por definitivo uma “segunda chance de salvação”. Leia a parábola das dez virgens para entender (Mateus 25). Além disso, quem não creu na pregação da verdade, estará depois sob o efeito da operação do erro, conforme 2 Tessalonicenses 2:11.

4- “E vi tronos; e assentaram-se sobre eles, e foi-lhes dado o poder de julgar; e vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus, e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta, nem a sua imagem, e não receberam o sinal em suas testas nem em suas mãos; e viveram, e reinaram com Cristo durante mil anos. Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição. Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte; mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele mil anos.” (Apocalipse 20:4-6)

Segundo a referência acima, todos aqueles que derem testemunho de Jesus serão degolados (decapitados) por não adorarem a besta e por não aceitarem a sua marca na mão direita ou na testa.

Budistas, espíritas, umbandistas, hinduístas, muçulmanos, xintoístas não estão abarcados na profecia porque não testemunham acerca da morte e ressurreição de Cristo e não retransmitem o seu Evangelho, segundo as Escrituras Sagradas. É muito provável que essas pessoas não serão capazes de acreditar na proibição que está em Apocalipse 14:9-12.

Segundo as Escrituras Sagradas, a “primeira ressurreição” será a dos que foram perseguidos e mortos durante o período da grande tribulação por causa do testemunho de Jesus e da não aceitação da marca da besta. O texto ainda fala de outra ressurreição, a qual acontecerá apenas mil anos mais tarde (Ap 20:5).

Se os pré-tribulacionistas defendem que a ressurreição dos mortos e transformação dos vivos (arrebatamento) acontecerá antes da grande tribulação e da marca da besta, então como explicar o texto bíblico que diz justamente o contrário? Por acaso haverá alguma ressurreição ainda antes da “primeira”?

Como se pode notar, não há como concordar com uma teoria que confronta as Escrituras Sagradas. Essa ideia de que o trigo deve ser retirado antes do joio é contrária ao que diz as Escrituras (Mateus 13:30).

5- “E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória. E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus.” (Mateus 24:29-31)

Depois de citar alguns eventos apocalípticos, o Senhor nos informa que os seus santos anjos serão enviados para recolher os escolhidos que estarão espalhados por todo o mundo. Diz ainda que os tempos serão abreviados por causa dos escolhidos (Mt 24:22) e como acontecerá esse resgate (Mt 24:31,40,41)

Há quem entenda que os escolhidos a que Jesus se referiu são os judeus espalhados pelo mundo. Porém essa afirmação não se sustenta, pois no versículo 24, Jesus cita os escolhidos e a possibilidade de serem enganados por falsos cristos e falsos profetas.

Quem está no engano não corre mais o risco de ser enganado, pois já está, e essa é a situação dos judeus por terem rejeitado o verdadeiro Messias.

“Eu vim em nome de meu Pai, e não me aceitais; se outro vier em seu próprio nome, a esse aceitareis.” (João 5:43)

A morte de Jesus Cristo não foi para nos livrar da grande tribulação, como inacreditavelmente argumentam alguns, mas para nos salvar de nossos pecados.

Todos os apóstolos nomeados diretamente por Cristo morreram de forma violenta ou foram submetidos a situações de violência. Se nem mesmo eles foram poupados do sofrimento, por que motivo nós deveríamos ser?

“E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições.” (2 Timóteo 3:12)

Não é objetivo desse estudo esgotar o assunto, mas despertar o nobre e bravo leitor que até aqui chegou para estudar mais e para se preparar para os dias que virão.

Mas respondendo a pergunta do título desse estudo, o grande problema de acreditar no arrebatamento escapista é o de estar mais vulnerável ao poder de persuasão e convencimento do anticristo, o qual em breve se manifestará ao mundo, pois poderão correr o risco de arrazoarem entre si: “se o arrebatamento ainda não aconteceu, isso significa que este homem não é o anticristo e que esta não é a marca da besta”.

“Portanto não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares. Ainda que as águas rujam e se perturbem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza. (Selá.)” (Salmos 46:2,3)

“Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; Todavia eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação.” (Habacuque 3:17,18)

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