O juízo final é para todos?

O juízo final é o evento descrito no livro de Apocalipse e que selará o destino de multidões. Apesar de ser um tema bastante recorrente em pregações e estudos, costuma ser mal compreendido, sendo facilmente colocado fora de seu real contexto.

Nesse pequeno estudo, demonstrarei que a igreja não será julgada no juízo final, mas ante o Tribunal de Cristo, que é mencionado em Romanos 14:10, o qual é um evento distinto e anterior ao do juízo final. Vamos à análise do texto de referência nas Escrituras:

“Depois vi um grande trono branco e aquele que nele estava assentado. A terra e o céu fugiram da sua presença, e não se encontrou lugar para eles. Vi também os mortos, grandes e pequenos, de pé diante do trono, e livros foram abertos. Outro livro foi aberto, o livro da vida. Os mortos foram julgados de acordo com o que tinham feito, segundo o que estava registrado nos livros. O mar entregou os mortos que nele havia, e a morte e o Hades entregaram os mortos que neles havia; e cada um foi julgado de acordo com o que tinha feito. Então a morte e o Hades foram lançados no lago de fogo. O lago de fogo é a segunda morte. Se o nome de alguém não foi encontrado no livro da vida, este foi lançado no lago de fogo.” Apocalipse 20:11-15

Da leitura atenta, é possível concluir que no juízo final, apenas mortos serão julgados. Em momento algum, é mencionado o julgamento de vivos, mas tão somente de mortos, estivessem eles no Hades, no mar ou em qualquer outro lugar.

Os mortos que serão levados ao juízo final serão todos aqueles que não forem ressuscitados na primeira ressurreição, conforme Apocalipse 20:6, pelo fato de não terem o nome inscrito no livro da vida, por não pertencerem a Jesus.

“Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição. Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte; mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele mil anos.” Apocalipse 20:5-6

Em contrapartida, os crentes eleitos e salvos, ressuscitados ou transformados na ocasião do arrebatamento, que é a primeira ressurreição, serão revestidos de incorruptibilidade e imortalidade, segundo 1 Coríntios 15:51-54.

Segundo as Escrituras, esses crentes serão incapazes de pecar e morrer novamente, ficando automaticamente excluídos do juízo mencionado em Apocalipse 20, o qual será apenas para mortos, os quais não estavam inscritos no livro da vida, como já observado no texto base.

Com isso, é possível concluir que o tribunal de Cristo, ante o qual todos nós realmente iremos comparecer (Romanos 14:10) em nada se confunde com o tribunal do juízo final, no qual nós, os que pela fé no Unigênito de Deus somos salvos, não seremos julgados.

É razoável presumir que o tribunal de Cristo tenha duas finalidades bem definidas: separar o trigo do joio, isto é, eleitos dos ímpios, e medir o peso do galardão dos salvos, segundo 2 João 1:8 e 1 Coríntios 3:13-15

A separação entre trigo e o joio pode ocorrer em dois momentos diferentes, a saber:

1- logo após a morte (Hebreus 9:27), ocasião em que a alma/espírito do salvo é enviada ao paraíso (Lucas 16:22; 23:43) e a do ímpio ao Hades (Lucas 16:23)

2- na ocasião da segunda vinda de Jesus Cristo, quando então porá ovelhas à direita e bodes à esquerda dele (Mateus 25:33), ocasião em que apartará os bodes para o Hades.

Os salvos que estiverem no paraíso lá permanecerão até o momento do arrebatamento da igreja, quando então serão ressuscitados para reinarem com Cristo no período milenar. Os que estiverem vivos na ocasião da segunda vinda de Cristo serão transformados (1 Coríntios 15:51-54).

Os ímpios que forem enviados para as cadeias do Hades lá permanecerão até o momento do juízo final, o qual se dará apenas após o milênio, ocasião em que serão julgados pelas obras e lançados no lago de fogo e enxofre, onde serão totalmente destruídos e deixarão de existir para sempre.

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