Cresce o número de evangélicos sem ligação com igrejas

A diferença entre 2003 e 2009 é de 4 milhões de pessoas.

Uma reportagem publicada na Folha de São Paulo desta segunda-feira, 15, mostra que o número de evangélicos que não mantêm vínculo com nenhuma denominação cresceu significativamente nos últimos anos.

Os dados foram baseados em uma pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) sobre “Orçamentos Familiares”. Ele mostra que em 2003 era apenas 4% dos evangélicos que não mantinham ligação com uma igreja e que em 2009 esse número já era de 14%, um salto de 4 milhões de pessoas.

Esse número representa pessoas que continuam se assumindo como evangélicas, mas não frequentam nenhuma denominação, algo parecido com os católicos não praticantes. Também entram nessa amostragem as pessoas que frequentam 2 e até mesmo 3 igrejas, sem criar vínculo com nenhuma.

A pesquisa também revelou a queda de fiéis entre católicos e protestantes históricos e também o crescimento das pessoas que se declaram sem religião e entre os neopentecostais.

Os sem religião representavam 5,1% da população e hoje já são 6,7%. Embora a categoria seja em geral identificada com ateus e agnósticos, pode incluir quem migra de uma fé para outra ou criou seu próprio “blend” de crenças –o que reforça a tese da desinstitucionalização.

(Íntegra em: http://noticias.gospelprime.com.br/cresce-o-numero-de-evangelicos-sem-ligacao-com-igrejas/)

Comentários do Evangelismo.blog.br:

É crescente o número de pessoas que se consideram cristãs, mas que deixaram de congregar com outros irmãos, em ambientes denominacionais, organizados em uma estrutura hierárquica composta por pastores, presbíteros, diáconos, membros, etc.

Os desigrejados (como são chamados) se reúnem com outros irmãos em Cristo (mas alguns não veem necessidade em congregar), em nome do Senhor Jesus Cristo, em ambientes residenciais e particulares, porém sem a presença de pastores, bispos, presbíteros, diáconos (por considerar isso parte do sistema religioso idealizado pelos homens) e de uma forma não rotineira.

Dentre os motivos que levam uma pessoa a se tornar um cristão “desigrejado”, podemos citar a não concordância com algumas das doutrinas existentes no meio denominacional, decepções, ou até mesmo por convicção íntima da pessoa.

Antes de qualquer coisa, é importante lembrar que não existe no mundo a igreja perfeita, visto que a igreja é constituída por serem humanos imperfeitos. Mesmo no início, a igreja já enfrentava problemas gravíssimos, desde os mais simples, como relacionamento entre os irmãos (1 Coríntios 6:6), até os mais críticos, como o surgimento de heresias e dissensões (1 Coríntios 11:19, Gálatas 2:4).

O início da igreja não foi fácil. Devido às perseguições religiosas, os primeiros cristãos se viram obrigados a se reunir escondidos, em casas e outros locais mais reservados. Eles participavam da doutrina dos apóstolos; do partir do pão; tinham as coisas em comum; vivenciavam o poder e os milagres de Deus de uma forma difícil de presenciar atualmente (ainda existem milagres) e sabiam na prática o que é ser reputados como ovelhas para o matadouro.

Atualmente, pelo menos nos países onde há respeito à liberdade de crença, a situação da igreja é bem diferente do que foi um dia no passado. Hoje as igrejas possuem CNPJ, denominação, patrimônio, estatutos e regimentos internos registrados em cartório (isso no Brasil, EUA, Portugal, etc).

Uma igreja (conjunto de pessoas) estável e saudável é aquela que se reúne (pode ser em um salão próprio ou alugado, em casa, chácara, ou qualquer outro lugar apropriado) de forma organizada, em conformidade com as Escrituras Sagradas, com regularidade, em nome do Senhor Jesus Cristo, para adorar a Deus, orar, ler a Palavra, cear, buscar a presença de Deus, visando também a obtenção dos dons espirituais a fim de que possa “ir”, pregar a Palavra, curar os enfermos, ressuscitar os mortos, expulsar os demônios, atuando verdadeiramente como o sal, em meio a um mundo que apodrece por causa do pecado, e isso até o dia em que o Senhor a arrebatará para si (1 Tessalonicenses 4:17).

O que caracteriza uma igreja, portanto, não é o fato de haver ou não um estatuto registrado em cartório para esse grupo, ou se essa igreja se reúne em uma casa ou em um salão alugado no centro da cidade, mas sim o fato de haver naquela congregação a fé verdadeira em Deus e a observância de sua Palavra.

Algumas passagens bíblicas relatam casos de pessoas que se isolaram para buscar a Deus sozinhas (sem congregar), porém são exceções que não devem ser transformadas em regra. A Palavra, a todo o tempo, nos ensina a estar unidos (congregar), no intuito de buscar e adorar ao único Deus verdadeiro e soberano.

“Congregai-vos, sim, congregai-vos, ó nação não desejável” (Sofonias 2:1)

“Dizendo: Anunciarei o teu nome a meus irmãos, cantar-te-ei louvores no meio da congregação.” (Hebreus 2:12)

“Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.” (Mateus 18:20)

Todos nós sabemos que a igreja de Cristo não depende de CNPJ ou de placa para existir, visto ser ela una, composta por pessoas de várias partes do mundo, mas que possuem a fé verdadeira.

Porém o fato de um grupo estar reunido em uma denominação não traz sobre esse grupo condenação, desde que não haja nesse meio a crença nas doutrinas de demônios e nas heresias de perdição.

Tanto a existência de denominação, quanto de regimento interno e estatuto decorrem de exigência legal (Arts. 44 ao 46 do Código Civil).

A Bíblia recomenda:

“Sujeitai-vos, pois, a toda a ordenação humana por amor do Senhor; quer ao rei, como superior; Quer aos governadores, como por ele enviados para castigo dos malfeitores, e para louvor dos que fazem o bem. Porque assim é a vontade de Deus, que, fazendo bem, tapeis a boca à ignorância dos homens insensatos; Como livres, e não tendo a liberdade por cobertura da malícia, mas como servos de Deus.” (1 Pedro 2:13-16)

Jesus não virá para buscar a placa, os bens ou o CNPJ das congregações, mas apenas todos aqueles que são verdadeiramente igreja, inclusive dentre aqueles que são membros de diversas denominações.

No passado, os crentes se reuniam em casas, muitas vezes escondidos, por causa da grande perseguição que sofriam. Atualmente, essa mesma situação se repete em alguns países, como na Coréia do Norte, Faixa de Gaza, etc.

Com relação à não concordância com a existência de uma estrutura hierárquica no corpo de Cristo, os desigrejados se equivocaram nesse ponto.

O Senhor Jesus Cristo é, de fato, o Sumo Pastor, a cabeça da igreja e diretor absoluto do corpo. É o Senhor Jesus que dirige todas as coisas, por meio de seu Espírito Santo. Porém a Bíblia nos ensina que devemos nos sujeitar a toda ordenação humana, desde que esteja sob a direção de Deus, é claro.

Observando a igreja em Atos e nos demais livros do Novo Testamento, chegamos à conclusão de que havia sim uma estrutura organizada em hierarquia.

Havia pastores, evangelistas e apóstolos (Efésios 4:11), presbíteros (1 Timóteo 5:19, 1 Pedro 5:1), diáconos (1 Timóteo 3:12), bispos (Filipenses 1:1, 1 Timóteo 3:2). A Palavra de Deus não mudou com relação a isso. Se não pudermos confiar nas Escrituras Sagradas, em que confiaremos então?

“Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem as coisas que ainda restam, e de cidade em cidade estabelecesses presbíteros, como já te mandei:” (Tito 1:5)

Todavia, a ausência de uma hierarquia na congregação, da mesma forma, não será motivo para a condenação dos cristãos que se reúnem em nome do Senhor Jesus, desde que não haja nesse meio, o ensinamento de doutrinas de demônios e heresias de perdição. A existência de uma estrutura organizada em hierarquia é bíblica e preferível a qualquer outra maneira de se reunir, mas não é requisito de salvação para ninguém.

Há casos, inclusive na Bíblia, de pessoas que, aparentemente, nem puderam congregar. Nem por isso essas pessoas, que receberam o Espírito de Deus pela fé, deixaram de ser salvas.

O que pensar do eunuco da rainha Candace (Atos 8), que depois de batizado, seguiu o seu caminho acompanhado apenas pelo Espírito Santo para a sua terra (Etiópia), e isso sendo ainda apenas um “novo convertido”. Será que houve tempo para o eunuco ser ordenado pastor? E por quem o seria? Não sendo o eunuco um pastor ou um presbítero, por causa disso ele não poderia pregar o nome de Jesus Cristo (Yeshua) e batizar outras pessoas?

Porém são exceções na Bíblia. A regra bíblica é congregar com os demais irmãos, sob os cuidados dos pastores, que velam por nossas almas. Isso não significa que existem pessoas mais especiais ou melhores, mas que existem pessoas que receberam talentos específicos para edificação de outras vidas. Pastorear não é para quem quer, mas para quem tem chamada para isso.

“Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil.” (Hebreus 13:17)

Porém ninguém será condenado pelo fato de não existir, em determinada congregação que se reúne de forma regular em uma casa, um homem ordenado para ser pastor. Até porque muitos homens do meio denominacional foram consagrados para ser pastores, mas apenas pelos homens, e não por Deus. Se ter um pastor fosse requisito para ser salvo, então muitos crentes que se reúnem nas denominações também seriam condenados.

Uma pessoa pode ter dificuldade para congregar por uma série de motivos, como por excessiva perseguição religiosa, pela destruição dos locais de culto, por estar preso por motivo de fé (como ocorre na Coréia do Norte), por estar muito enfermo (a igreja tem que ir até o enfermo), por não conhecer outras pessoas que compartilhem a mesma fé (acontece muito em países onde a maioria é mulçumana, budista, etc.). Por causa disso, o sangue de Cristo não poderá comprar essa vida?

Hoje cada um de nós foi transformado em sacerdote, graças ao sacrifício de Jesus Cristo. Isso significa que pela fé, qualquer pessoa pode adentrar no lugar Santíssimo (na presença de Deus), porque o véu foi rasgado. Todos aqueles que se assemelham aos fariseus não irão concordar com a existência da igreja que se reúne em casa, mesmo que esteja sob a direção do Espírito de Deus e que se reúna de forma organizada e regular, frequente.

Eu não quero, nesse estudo, defender um ou outro posicionamento, até porque há erros de ambos os lados. Quero apenas expor os excessos, com o objetivo de iniciar uma discussão acerca desse assunto tão importante.

Acredito que existam muitos radicais entre os cristãos desigrejados, gente que introduz heresias de perdição, que nega ao Senhor, que distorce a Palavra de Deus, ou a desfaz. Gente assim deve ser combatida da forma correta, sempre com a Palavra de Deus.

Observando os últimos acontecimentos pelo mundo, percebemos que o crescimento do número de cristãos que não congregam em denominações já é uma tendência. À medida que se aproxima o dia da volta do Senhor Jesus, mais as igrejas tradicionais, que possuem registro denominacional, bens, que “abre as portas” em horários pré-estabelecidos, serão compelidas a finalizarem as suas atividades, obrigando os membros a se reunirem como faziam os primeiros crentes no passado.

Isso será realidade no Brasil, por exemplo, quando uma lei determinar que o casamento entre pessoas do mesmo sexo deve ser realizado também pelas denominações evangélicas, sob pena de encerramento das atividades no caso de desobediência à lei do homem. Nesse caso será melhor “fechar as portas” e continuar obedecendo a Deus.

O que mais importa é ter a certeza de que o Senhor Jesus Cristo está presente na congregação da qual faz parte. Isso só acontece quando as pessoas estão dispostas a adorá-lo em espírito e em verdade, com coração contrito, quebrantado, com reconhecimento do poderio de Deus, e de sua Majestade, sob à luz das Escrituras Sagradas, unicamente.

“Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho.” (Salmos 119:105)

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