As dez virgens estão adormecendo

Jesus comparou o reino dos céus a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo.

Na parábola, Jesus diz que cinco dessas virgens eram prudentes e cinco delas eram loucas.

“As loucas, tomando as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo. Mas as prudentes levaram azeite em suas vasilhas, com as suas lâmpadas. E, tardando o esposo, tosquenejaram todas, e adormeceram.” (Mateus 25:3-5)

Ao olharmos para essa parábola, prestamos muita atenção no fato de existirem cinco virgens prudentes e cinco loucas, cinco com azeite e cinco sem o azeite, que é um símbolo do Espírito Santo e consequentemente da presença de Deus na vida do crente.

No entanto, a parábola tem muito mais para nos ensinar.

Diferentemente de como acontece hoje numa cerimônia de casamento, no passado a noiva é quem aguardava ansiosamente a chegada do noivo.

As virgens estavam à espera do noivo, porém antes da meia-noite, todas elas já haviam adormecido, até mesmo as que possuíam azeite consigo. Elas tinham a lâmpada, o azeite e o fogo, mas estavam dormindo.

As virgens loucas também aguardavam a chegada do noivo, mas não se preocuparam com o fato de suas lâmpadas estarem apagadas. Elas sabiam que era necessário manter as lâmpadas acessas e sabiam como acendê-las, mas imprudentemente as deixaram apagadas até a última hora.

“Mas à meia-noite ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo, saí-lhe ao encontro.” (Mateus 25:6)

Nessa hora, diante da notícia, e Jesus não revela quem a dá, acontece um alvoroço, e só então as loucas percebem o quão encrencadas estão.

Desesperadas, elas pedem o azeite para as pessoas erradas, que não podem ajudar. Elas saem em busca do azeite, mas já é tarde demais, porque àquela hora da “noite”, ninguém poderia atendê-las. Quando retornam, deparam-se com uma porta fechada, que não se abre nem para a dura resposta:

“E ele, respondendo, disse: Em verdade vos digo que vos não conheço.” (Mateus 25:12)

Talvez aquelas virgens se achassem ricas demais, ou até belas demais para serem desprezadas pelo noivo, mas o requisito fundamental para elas serem aceitas era terem as suas lâmpadas acesas.

Olhando para a situação das igrejas hoje, conjuntos de pessoas ou congregações, podemos facilmente compará-las à situação vivida pelas dez virgens da parábola. Observando o cenário atual, é muito provável que já estejamos num momento bem avançado da parábola, bem perto da meia-noite.

De uma maneira geral, as igrejas estão adormecendo por toda a parte. No Brasil, por exemplo, o forte envolvimento com a política é um desses sinais. Alguns púlpitos literalmente se transformaram em palco para palestras de políticos.

Nos EUA, os crentes estão acostumados a congregarem em edifícios com capacidade para 5 mil ou mais pessoas. Muitos estão enriquecendo para o mundo, mas não para com Deus, em boas obras. Os crentes estão deixando de “ser igreja” para “ir à igreja” e esse fenômeno está ocorrendo em toda a parte.

Em boa parte do mundo, a simplicidade do evangelho tem dado lugar à vaidade das grandes construções, das grandes “produções góspel”. A pregação da mensagem do arrependimento, santificação e a preparação para a volta de Jesus Cristo está dando lugar para as palestras motivacionais, em que Jesus Cristo é oferecido como um remédio para os problemas modernos da sociedade, tais como os financeiros, de relacionamento, etc.

No período da igreja primitiva, quando as virgens estavam bem acordadas e dispostas, havia a pregação da mensagem da cruz e manifestação do poder de Deus:

“E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria. Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado. E eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor. E a minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder; Para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus.” (1 Coríntios 2:1-5)

A verdade bíblica está se transformando, por incrível que pareça, cansativa e antiquada. A Palavra de Deus não é mais a única e a melhor arma para libertar as pessoas do engano e de as manter na presença de Deus.

Por isso, boa parte das virgens adormecidas, muitas delas loucas também, estão apresentando inovações mundanas para chamar o “público” e manter a “casa cheia”, que é sinônimo de sucesso e de mais arrecadação.

“E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita.” (2 Pedro 2:3)

MMA, balada e carnaval góspel são algumas das opções de entretenimento disponíveis atualmente para os jovens “permanecerem” na presença de Deus.

Mas a culpa não é apenas dos que estão à frente, dos líderes, pastores e etc, mas de todos que compactuam com esse tipo de coisa, pois a Palavra nos diz:

“Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências;” (2 Timóteo 4:3)

No fim, os falsos doutores se tornam vítimas dos rebanhos que não querem ser doutrinados conforme a Palavra de Deus, mas conforme as suas próprias concupiscências. Há casos de pastores, homens de Deus, que foram expulsos de determinada congregação pelo fato de serem “muito rígidos” na pregação da Palavra de Deus. Assim, cada panela encontra a sua tampa merecida.

“Porque o Senhor corrige o que ama, E açoita a qualquer que recebe por filho. Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija? Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois então bastardos, e não filhos.” (Hebreus 12:6-8)

Quando o profeta é de Deus, esse homem enfrenta perseguições, dificuldades, é abandonado por muitos e até odiado, tudo porque a verdade é dura de se ouvir. Mas se alguém foi chamado pelo Senhor Jesus, deve seguir o exemplo do Mestre:

“Muitos, pois, dos seus discípulos, ouvindo isto, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir?” (João 6:60)

“Desde então muitos dos seus discípulos tornaram para trás, e já não andavam com ele. Então disse Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos?” (João 6:66-67)

Projetos que começaram muito bem, obras que começaram pequenas, mas cheias de poder, agora estão perdendo a essência de quando começaram, e isso principalmente por causa do enriquecimento e do amor ao dinheiro e ao mundo.

Dentre as sete cartas de Apocalipse, encontramos um exemplo de uma igreja rica e de uma igreja pobre, materialmente falando. Para a igreja pobre, Jesus disse:

“Conheço as tuas obras, e tribulação, e pobreza (mas tu és rico), e a blasfêmia dos que se dizem judeus, e não o são, mas são a sinagoga de Satanás.” (Apocalipse 2:9)

Mas para a rica, Ele diz:

“Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu;” (Apocalipse 3:17)

Apesar de tudo, na parábola, aparece a figura de alguém, que à meia-noite está acordado. Este consegue avistar o noivo chegando e alertar as virgens sobre isso. Ele não consegue retardar a chegada do noivo, nem vender azeite para as loucas, mas consegue despertá-las.

O homem que clama à meia-noite tem que ser eu, você e outros irmãos anônimos (tal como é na parábola), desconhecidos para o mundo, mas conhecidos por Deus. Homens que conseguem enxergar o profundo sono em que as virgens estão se metendo, permanecer acordados e ter a coragem para clamar bem alto para todos que o Senhor Jesus Cristo está voltando e que é tempo de arrependimento e de buscar a Deus com coração sincero.

Quando Jesus voltar, em que posição na parábola você vai querer estar?


Deus seja louvado e glorificado eternamente!
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